
Este espaço revela a diversidade humana... Sonhos, segredos,magia e alma,contos,prosas, fotos e poesia! Muitas vezes esconde, para se fazer revelar... Valdete Pereira
11/03/2006
Dúvida extrema

Será que existe vida na Lua?
Nua se põe a lua a mostrar todo esplendor?!
Será que o fel é prova de vida?
Será que a vida se exprime com palavras?
Eterno momento de um pensador...
Será que o pensador sofre, ri, chora e namora?!
Quem sabe tema, amar a carne também?
Será, palavra vaga que imprime insegurança,
Valdete Pereira
10/05/2006
Te procuro
Em meio a palavras soltas
Em imagens obscuras
Em meio a cidades nuas
Te procuro em praças
Lares, ruas, bares,
Caminhando pelas marés
E com os pés molhados
Te perco, em meio às ondas.
E vai vens de meus pensamentos
Valdete Pereira
6/28/2006
AGAMIRO PARÁ

AGAMANITHIÁ, KURIÁ
AGAMIRO PARÁ, KIMO MAKTHIÁ KIRIÁ,
MARUKAÍ HÓ,HÓ,THÊ
____AGAMANITHIÁ-Aguá pequena passa pela pedra
____E a pedra se deixa levar pela aguá KURIÁ
____AGAMIRO PARÁ-Um dia vão se reencontrar
____KIMO MAKTHIÁ KIRIÁ -A vida passa como a aguá pela pedra
____MARUKAÍ HÓ,HÓ,THÊ-A mão não pode segurar nem uma, nem outra.
VALDETE PEREIRA
4/21/2006
PSICOSE 3.0

Olhei pela janela
Vi o céu-passarela
Desejei a imensidão,
Comer nuvens de algodão

Céu azul ao fundo
Não vi entrave
Eu era a ave

Tive intenção de pular

Sobrepujar o aço
O céu a me libertar
Tive a intenção de voar

No céu eu era gazela
Porta sem tramela
No espaço me lancei
O medo......dominei.

Por ares , andei
Na terra naveguei
Nos mares planei
O infinito me tornei

Farto de tanta liberdade
Insano, retomo a humanidade
Trabalhar, comer, andar e, sonhar...
Olhei pela janela...
4/16/2006
A INSTITUIÇÃO DO PEDÁGIO VERDE

Valdete Pereira
Eu quero um pedaço da Amazônia! Aqui eu já vi muitos ribeirinhos ganhando um pedaço de terra do município, não pagam aluguel, não tem imposto e tem carro na garagem! Muitos invadirem áreas nobres da cidade, ficando pertinho do centro. Perdi a noção do número de prédios abandonados que foram violados por multidões enfurecidas, que agora moram de graça! E me sinto um idiota porque não tive coragem de invadir! É certo que muitos foram tirados de lá na base da Porrada! Quer saber? Tem muita gente ainda lucrando com a miséria, por isso as coisas não andam e a gente tem que andar na contra-mão! Eles têm casa ou apartamento e carrão! A companhia habitacional é uma vergonha, só da casa pra que tem como pagar e, ainda assim pra pobre só “caixinha de fósforo”! O sujeito imagina se entrando no “apertamento” e está saindo dele! Pagando a vida inteira! Não posso pagar e não quero ninguém ganhando as minhas custas! Vou virar latifundiário! Tem estrangeiro pagando uma de dono da floresta, onde cria patentes de produtos nossos! Prometo não transformar a floresta em carvão vegetal ou madeira de baixo custo e também não pretendo extrair borrada do pau! Quero a concessão, não tenho empresa grande,mas não quero o Brasil na mão de multinacionais abençoados por testas-de-ferro, brasileiros é claro! Quero ter algo de meu,! Ah.... e se alguém quiser visitar reservas indígenas, rios, cascatas, cachoeiras, tobogãs naturais, verdes matas, tirar fotinha com índio, comprar cocar e passar pelas terras e tudo mais... vai ter que pagar! Ah se vai!!! Vou instituir o pedágio verde! Tudo na legalidade e sem gastar nenhum centavo!
4/08/2006
PARA LELOS MUNDOS
4/07/2006
Psicose 1.0
Luzes prendiam meus olhos ao teto,
Passava por elas a todo instante
E faziam-me ter idéias não tão comuns...
_Se as luzes fossem pessoas vivas,
estaria diante uma multidão e...
De repente, uma delas, moribunda, sucumbiu.
Diante de meus olhos ...
Compreendi o que ha muito soubera e,
Que não dera a mínima importância...
A escuridão era uma parceira incontestável da luz;
A Vida e Morte, a contemplar-me
_Estar morto, é coisa de milésimo de segundos!
Impossível não imaginar que...
Havia um cadáver fedorento colado ao teto e,
Eu teria que passar diante dele,
Diversas vezes...
Para não sucumbir em meio às águas
Voltei ao bater frenético das pernas,
Numa tentativa de ignorar o cadáver ,
Que me contemplava imponente...
Passei a olhar para os pés
3/31/2006
SANTO EXPEDITO APROVA BOLÃO

Mediante aclamação popular
Santo EXPEDITO...
Não sabe o que faz,
Se recebe o currículo,
Se ajuda a pagar as contas,
Se dá leite pra criancinha,
Se da saúde pra vizinha,
Se arranja marido pra assanhadinha....
_ Assanhadinha, uma virgula! Aquela é uma...
Sei lá meu DEUS!!!
Sou santo Milagreiro é certo!
Mas com esse pardieiro...
É até uma heresia, não satisfaço ninguém!
Haja vintém, réis ou cruzeiro,
cruzado, REAL...
Como arranjar tanto dinheiro
Pra bancar tanta lambança?
É fazer compras todo mundo sabe,
Mas fazer as contas.....
Pra pagar somos nós,
EU e o santo TADEU!!!
Mas meu peito esbraveja
_ Ninguém tem culpa de tanto desemprego,
desamparo,desgraça, desgosto, desatinação,
desvario e, desgoverno.
Como saber o que é URGENTE???
Só apelando pro sorteio...
_ Vamos fazer um BOLÃO!
Valdete Pereira
A Arcada

Certa vez, entrei numa fila enorme
Todo mundo contando novidades
Criança pra cá, criança pra lá
Um vai-vem desenfreado
“É o dia do Dentista”
Bochecho preventivo
Ensino de escovação
Haja coração!
Mas que problemas tinha eu?
Tinha de ter algum, todo mundo tem o seu!
Tratei de empurrar a mandíbula
Pra cá e pra lá, até dar conta de
Uma deformidade...
Chegou á minha hora!
Tão esperada ”vez”.
Daí o dentista me olhou
Me pediu um sorriso.....
Aí eu dei...
Aquele...Torto,
Ensaiado ás duras penas...
Senti um leve problema!?
Uma certa interrogação no rosto do dentista...
Ele olhou...., olhou....., pensou.......e disse:
_ Que tal endireitar a Arcada???
Com os meus botões eu pensei....
Preciso ensaiar mais da próxima vez!
Valdete Pereira
3/30/2006
Zé Ditinho Silva
Patuscada, um despropósito, um desrespeito, ou qualquer um dês desses....Vai se fudê! Era isso que dizia quando a batata assava, quando o trem saia dos trilhos, quando perdia o controle, a cabeça e os parâmetros, quando se sentia um lixo,quando as coisas não iam bem, o “porquê” era muita humilhação e não dizia a ninguém!!!
Quando a merda era jogada ao ventilador! Com tripla personalidade, na hora do deixa disso, duas delas, o Zé e o Ditinho, assumiam o comando. Oque, “o queeeê” !!!. No pensamento,ambos os dois diziam: Brigar não resolveria seu problema, só o levariam para onde o sol nasce quadrado, e lá os Meganhas é que mandam. Policial não é negro! E o Chico Doce, mas conhecido como pau que amansa doido, comia solto.
Racismo!!! Que nada! Em casa de ferreiro o espeto é de pau! Ali, imperava a Lei dos Mais Fortes, mas o alívio vinha quando a terceira personalidade se punha á olhos vistos o “Silva” que só pensava que pra tudo tinha “Um dia a caça e outro o caçador” . Dinheiro, pra quê? Se país de cegos quem tem um olho é rei! Stratus é a solução! Sim Stratus, o sujeito tem ser bem apessoado, tem usar um pano ás pampa, e se num tem sardo bancário, num tem emprego ficho, tem de ter conta bancária pra mostrar que está vivo!!!. Mas quando um desaforo pelo gogó ficava entalado o “Silva” entrava em ação....Sai de Baixo! Mandava tudo á merda! Ás favas! Ia á banca rota!
Naquele dia, deu sorte ao azar, num role pela cidade, todo na estica, o Silva sai com uns amigos, no fino do fino, quando foram enquadrados pelos Meganhas. _ Mãos pra parede, ”Geral”! Tava todo mundo parafinado e documentado, mas pros homem, negro junto é função,treta, malandragem,fuzuê, armação,barraco, formação de quadrilha...Não deu nada, naquele grupo todo mundo é pobre mas limpinho!Resignados, todos foram ao baile, amaciados e putos da vida , de cabeça cheia, chamando urubu de meu loiro, inclusive as três personalidades, Zé, Ditinho e Silva, que teve que engolir a seco o desaforo!
Agora! Ditinho, que sem instrução, sem teto, sem trabalho, sem afeto e muita vergonha, jurou ir á forra! Iria sê “Douto”. Já fazia um compensado de um cursinho supletivo, sabia que não nascera burro!!! E não se sentia assim, desfavorecido, descamisado,desrespeitado, isso sim ele era!!! Daqui pra frente, tudo vai ser diferente!!!!Agora iria lutar de igual pra igual! Teve vida de cachorro magro, trabalhou de sol a sol, teve labuta diária diversa,catador de papel, promovido a “orelha seca”, mas conhecido como servente de pedreiro. Na Escola da Vida, foi promovido a Pedreiro, Pedreiro Azulejista, Mestre de Obras e Engenheiro, quando pegou o canudo! Por cima da carne seca! Vencendo perdeu, vínculos, os chegados, camaradas, os amigos de balada, amigos de peito, os manos de fé! Mas não tinha de ser assim. Pra muitos, crioulo vai ser sempre servo! Letrado, O Zé, Ditinho e o Silva, Sentiam-se importantes!!! Os três decidiram voltar e fazer a diferença, era à hora da virada...
José Benedito de Silva, parou num ponto de táxi, de terno e gravata, aprumadíssimo e em alto e bom som, orgulhoso e pediu: Toca pra Vila Tamoios. O taxista: _Hein????. Refugou,refugiou-se, deu ré no quibe, borrou as calcas e disse pra que todos ouvissem:___Oh amigo, não dá! Maloca, tô fora!!! Tem bairro que a gente não vai nem buscar a mãe!!!! Agora, letrado, José Benedito de Silva, insiste, mora lá e não tem perigo, era de casa, do bem, sangue bom, o bom malando e Doutor!!! O taxista achando que era treta, chutou o balde, pôs o pé na merda e atolou-se até o pescoço.___ : “Oh! Macaco”, não pensa que porque usa pasta e terno bom e gravata é gente! Não vou te levar á porra nenhuma!
Enrubescido, embasbacado, estupefato, boquiaberto mesmo! Zé e Ditinho não esperavam este desaforo, descaso,desmazelo,desfeito! Desta feita “O Silva”, tomou as rédeas da situação, juntou-se aos dois. Disseram numa só voz:__Então toca pra Delegacia!
Valdete Pereira
PSICOSE 2.0
Vejo um vulto
Lépido,
Se fazendo oculto
Se olho de frente,
Some derrepente
Se olho de banda
Some de quimbanda
Rapidamente...
Me escondo num canto
Pra ver se ele espanto
_Ahaaaaaaaaaaa!
A sombra dos muros
Ele se esconde também...
Não sai de meu encalço!
_Ta procurando o que???
Quem procura, acha
Olho ao redor e...
Não vejo ninguém!
.......................Ufa!
Valdete Pereira
BODAS DE OURO
Solta até gargalhadas no ar lendo o Diário de Notícias. (Dona Maria fala sozinha a olhar pelo vitrô) _Tem boi na linha! Não é possível que o véio deu prá virar sem vergonha com uma idade dessas. Não cabe a um senhor de respeito ficar com os dentes a mostras na rua... .E continua: _ Vem ler esse Jornal dentro de casa, Jorge! O que os vizinhos vão pensar? Seu Jorge, macaco velho, já nem liga mais, continua sorridente, adentra a casa, sabedor do ciúme da mulher.Dona Maria fecha a cara. Seu Jorge não deixa que ela fique bisbilhotando sua intimidade e tenta esconder o jornal. (Dona Maria)_ O que fez com que você mudasse tanto Jorge? Sempre foi um homem severo, rígido até com os filho, correto na vida do lar e, agora anda por aí todo sorridente?!?
(Seu Jorge) _ Deixa de ciúme mulher, alegria não tem porteira não! Cansei! Maria, eu até me lembro da última vez que a gente combinou voto e...
(Maria)_Combinou nada! Você nem me deixava escolher, eu sempre tinha que votar
naquele candidato que você achava que era o melhor pra gente, dizia que eu não entendia nada de política e eu acabava ...(Seu Jorge) _ Votando escondido!?!Hein? Há quantos anos já não faço mais isso! (Dna Maria)_ Faz tempo! Mas o que fez você mudar tanto! (Seu Jorge) _Nada não, Maria!(já explica o ocorrido para não dormir na sala)_ É impossível não rir com o que está escrita no jornal, mulher! Antigamente a gente vivia no interior e a campanha política era é feita na base do toma lá da cá. Em troca de votos recebia-se transporte até a urna, conseguia-se internar um filho doente, e
quem sabe trabalho na fazenda de um desses coronéis pros morto de fome e, tudo era às claras. Agora com esses tempos modernos, tanto faz estar Capital ou Interior. Tem político de todo jeito, tudo farinha do mesmo saco e, dinheiro escorrendo pelo ladrão. E a gente ainda anda pagando imposto, pra que? Que novela que nada! Eu quero é mais!
Muda o semblante de seu Jorge, que agora é triste, quase um choro mudo. (vai jururu pro sofá)
(Dna Maria, nervosa) _ Arah! Cinqüenta anos de casados e só agora eu perco meu marido para essa sirigaita da política!
(Seu Jorge, sorridente)_ Maria, vem ver o que eles aprontaram dessa vez!
(Dona Maria ,toda serelepe) _É Jorge, novela pra que?
Valdete Pereira
INERTE
Uma timidez que reluz, uma sofreguidão, Uma filha-da-putisse,consigo mesma e, sei lá mas o quê... Aquela aparição, tão rápida, daquela forma? Deveria ter avisado. Que ousadia sucumbiu-lhe para chegar assim ??? Repentinamente! Empalideci. Passou diante de min feito um tiro, um relâmpago Um desastre da natureza, como tantos já vistos. E eu Inerte... Numa inércia que maltrata, quem tanto espera E no entanto passou! Num relâmpago de memória, posso velo passar diante min, Por mil vezes e mil vezes mais... E eu Inerte... Quase louca, dura, suando frio e escolhendo as melhores palavras... Veio. Com um andar certeiro, passo ante passo, seu terno de risca de giz, Cuja perfeição e assentamento naquele corpo esguio, Fazia inveja a todos, óculos redondamente reluzentes, Palidez e olhar meigo compunham Sua característica principal. Repentinamente. Sinto um movimento descompassado, brusco até, Que me envolve, deixando uma atmosfera de êxtase no ar. Parou. Me fitou com a velocidade de um trovão, Estraçalhando todo lugar que toca, Com olhar sereno questionou-me _Por favor, que horas são? Olhei para o relógio. Momento este que como o cortar duma adaga Distancia o tempo real do imaginário. E o tempo parou, e perdurará pela minha existência. Desta vez, com um fio minúsculo de voz, meio que trêmula, respondi: _20:00 horas. Ele agradeceu. E eu Inerte... Dei um sorriso suave... Ele compactuou e se foi. Sentei-me abobalhada por uns segundos... Agora, tinha certeza de duas grandezas físicas A Eternidade e a Inércia. Valdete Pereira |